Padre Renato Oliveira, Pároco da Catedral Diocesana Nossa Senhora da Glória
A Igreja, com o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, inicia uma caminhada profunda de celebração do mistério central da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo: sua Paixão, Morte e Ressurreição.
Todo esse caminho teve início na Quarta-feira de Cinzas, ocasião em que adentramos a experiência quaresmal, um tempo de preparação. A Quaresma não tem objetivo e finalidade em si mesma, mas é o caminho de preparação para tudo aquilo que o cristão vive na Semana Santa. Nesse sentido, vale notar que não faz sentido algum viver bem a Quaresma (partindo da fidelidade no jejum, na caridade e na oração) e não viver, de modo ainda mais profundo, as celebrações da Semana Santa.
É aqui que muitos católicos erram, e feio! É comum que muitos fiéis vivam uma boa Quaresma por meio do aprofundamento da oração, participem até mesmo diariamente da Santa Missa e lutem para viver a fidelidade no jejum e na abstinência, mas depois não participem das celebrações do Tríduo Pascal. É como se a pessoa tivesse todo o trabalho de preparar uma grande festa por meses e, no momento de começar a dança, os comes e bebes e a celebração, ela se virasse e fosse embora.
Quem viveu bem a Quaresma precisa viver melhor ainda a Semana Santa!
Nesses dias, acompanhamos Nosso Senhor Jesus no seu caminho de entrega no altar da Cruz:
- Acompanhamos Jesus que entra em Jerusalém consciente de tudo aquilo que iria acontecer. Sua entrada, em meio aos ramos, é triunfal, mas ao mesmo tempo humilde.
- Na Ceia, sentamo-nos com Jesus e os discípulos à mesa para ver o Mestre lavar os nossos pés e entregar-se a si mesmo no pão e no vinho.
- No Getsêmani, vamos acompanhar o beijo do amigo que trai; veremos a flagelação, a coroação de espinhos e a crucificação… Possivelmente, nós, como os demais discípulos, fugiremos por medo.
- Seremos testemunhas do corpo sem vida que, descido da cruz, será entregue nos braços da Mãe e depois colocado no sepulcro.
- Enfim, iremos ao túmulo, o veremos vazio e, então, contemplaremos a certeza mais bela da nossa fé: Ele ressuscitou!
Nesses dias, a Liturgia não nos coloca como espectadores distantes do mistério que é celebrado, mas nos dá — pelo Espírito Santo — a graça de podermos adentrar no Evangelho, na cena, no mistério celebrado.
Que o Espírito de Deus dê a cada um de nós a graça de vivermos bem esses dias e que possamos crucificar nossas vidas com Cristo para, com Ele, ressuscitarmos.

